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25 de jan de 2016

Uma última dica.

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Sempre que me recordo dos anos passados da minha vida, vejo que em cada ano eu tive uma personalidade diferente...


  • Em 2009, apaixonada pelo garoto mais esquisito da sala, gostava de músicas tristes, de usar cabelo preso, amava as atrizes da Disney e passava a tarde assistindo Discovery Kids escondida 
"já pensou se alguém da escola descobre que eu ainda assisto Hi-5? Que mico’" 
      era o que eu pensava.

  • Em 2010, gostava de andar de skate, gostava de qualquer cara com cabelo ala Justin Bieber, andava com as garotas populares da escola. Vivia de chapinha e nos fins de semana deixava o meu cabelo no estilo natural 
    "ninguém vai me ver mesmo"
    era o que eu pensava. 
  • Em 2011, eu amava música coreana popular (k-pop), assistia e escutava isso o dia inteiro. Amava maquiagem e voltei a me apaixonar pelo garoto mais esquisito da sala. Andava com minhas amigas de infância, mas eu gostava mesmo era de ficar sozinha
"não posso passar o intervalo sozinha enquanto todo mundo está rodeado de amigos" 
– era o que eu pensava. 
  • Em 2012 eu ainda gostava de música coreana, mas o que eu curtia mesmo era escrever, mas não deixava ninguém ler, tinha medo de zombarem de mim. Tinha uns amigos bem legais, mas por medo que eles fossem embora como todos os outros dos últimos anos, eu não me aproximei o tanto que eu gostaria. Tenho que confessar que nesse ano eu fui apaixonada por uma garota, mas ninguém sabia, muito menos ela.
 "Já pensou se alguém descobre? Deus me livre. Ninguém aceitaria, tenho que esquecer esse sentimento. "
– era o que eu pensava. 
    • Em 2013 eu lia o tempo inteiro, namorava com qualquer um que me dissesse "eu te amo", ficava no meu canto na sala pra não ter que entrar no papo chato das pessoas sobre a novela do dia anterior, sobre a banda da moda e a nova revista Capricho que tinha saído naquele mês. Era apaixonada por maquiagem e roupas, mas me arrumava de qualquer jeito.
    "Eu não posso aparecer maquiada e bem vestida como as garotas populares, eu não sou nada, não sou digna disso." 
    – era o que eu pensava. 
        • Em 2014 eu gostava de música contemporânea, me vestia de preto e ia pra qualquer lugar no fim de semana, mas ficar em casa jamais!
        "Tenho que ter história pra contar depois" 
        – era o que eu pensava. 
            • Em 2015 não gostava de nada, vestia qualquer coisa, não falava com ninguém, não escrevia mais nada. Tinha tido tantas personalidades que não sabia mais quem eu era. Não sabia qual caminho seguir nem o que me fazia feliz. Eu era vazia, sem nada. Passei tanto tempo sendo o que eu achei que deveria ser, que esqueci do que eu queria ser. Passei tanto tempo fazendo as coisas que eu gostava escondido que acabei por evitá-las para ninguém descobrir. Me preocupei tanto com o que os outros pensavam, que esqueci de pensar em mim. Tive tanto medo do fim que passei a evitar começos. Planejei tanto que acabei esquecendo de fazer. Quando me dei conta, o tempo tinha passado, eu tinha me formado e de repente nada mais daquilo fazia sentido. Não tinha mais intervalo pra eu me preocupar com quem estar, não tinha mais um lugar para ir todos os dias para me preocupar sobre como me vestir, não tinha mais as garotas populares para eu me comparar e me inferiorizar. O tempo passou e eu vi que aquilo foi só uma pequena fração da minha vida, e que o que os outros pensaram de mim na escola não fazia a menor diferença. Eu pensei tanto no que os outros iam falar, que esqueci de mim.



            Mesmo que tenha sido muito tempo perdido, não foi de todo mal. Agora eu sei que o que os outros pensam ou deixam de pensar sobre mim não vai fazer diferença nenhuma na minha vida. Percebi que não tem problema eu gostar de Hi-5, de Barbie, de escrever e que eu sou digna sim e sair ás 6hrs da manhã de casa com maquiagem e salto alto. O corpo é meu e quem tem que gostar de como ele está sou eu. Não me importam se vão me julgar quando eu sair de casa com Maria Chiquinha, e nem o que vão falar quando souberem que eu assisto Cúmplices de um resgate. Não me importo se a sociedade vai me chamar de infantil por isso, de louca por dançar na rua quando me dá vontade, ou de sem futuro quando eu disser o que quero estudar na faculdade. Eu irei aos eventos sozinha mesmo, porque eu gosto da minha companhia, não me importa o que os conhecidos dirão quando me verem sem amigos ou namorado ao meu lado. A vida é minha e eu vou ser feliz do meu jeito.


            Galera, este é o meu post de despedida. Agora o Imagine Dreams é só da Ray e sei que ela vai fazer isso muito bem, espero que tenham aprendido um pouco com a minha experiência relatada. Se cuidem.

            Stella Luz.